quarta-feira, 17 de março de 2010

TERECÔ...CODÓ - VOCE JÁ HAVIA OUVIDO FALAR NISSO?

TEXTO DO JORNALISTA MARANHENSE JHOEL JACINTO

MAIS RESPEITO COM A TERRA DOS NEGROS CODOENSES.


Eis um das maiores Heranças Religiosas deste torrão! Santo Antonio dos Negros é um povoado codoense, localizado à margem da rodovia que liga as cidades de Codó com a de Dom Pedro. É uma localidade originária de quilombo a 37 quilômetros da sede municipal. Foi nesse povoado de origem negra que surgiu o terecô e se desenvolveu por todo território de Codó e região, cuja religião alcançou na atualidade ares mundiais. Apesar de essa comunidade possuir terras férteis, o que apenas fornece aos seus moradores uma pequena agricultura de subsistência, ou seja, uma coramina para prolongar um pouco o baixo índice de esperança de vida e confirmar a existência de mais um grande bolsão de pobreza absoluta em terras maranhenses. Ao iniciarmos este 2008, logo de cara como defensor da Maranhensidade e codoense de alma, coração e vida não podemos calar diante dos cenários que estão sendo mostrados sobre a situação de miséria e desprezo total, que se encontram os nossos irmãos de Santo Antônio dos Pretos na cidade-mãe-pátria-minha. É totalmente absurdo que as autoridades nos mais diversas áreas não tenham conhecimento do valor histórico, que representa essa nossa gente querida e suas tradições, origem de uma das mais legitima religiões deste Brasil-Maranhão, o Terecô que derivou a Umbanda e outras ramificações religiosas. Para os menos informados ou racistas em potencial. Imaginem se todos nós maranhenses não tivéssemos a nossa negritude? Tais comunidades seriam tratadas piores do que o prosseguimento do genocídio indígena!

São tantos terreiros, tendas espíritas que lidam com as derivações do Terecô no município de Codó, que nos perderíamos em citar uma a uma. A nossa previsão é da existência atualmente de aproximadamente 500 unidades dessa religiosidade ou similar em território codoense. Apenas para ilustrar lembremos da Lagoa do Pajeleiro; de Deus Quiser; Euzébio Jansen, Baltazar Galdino Ferreira; Malaquias; Levino; Vidal; Tobias; Antonia Brandão; Tomázia Lages; Estrela Lages; Rita Muniz; Maria Piauí; Antonina e muitos outros de tempos idos, mais recentemente apareceram Aluízio Paiva; Chico Monteiro; Pedro Silva; Maria Raimunda; Maria dos Anjos e muitos outros. Mas, não podemos deixar de evidenciar Bita do Barão de Guaré com sua Tenda Espírita Rainha Iemanjá, fundada em 1953, a qual trabalha com Umbanda e Quimbanda.

O Que é Terecô? É a conceituação empregada à religião afro-brasileira, advinda da África do Sudão Setentrional e iniciou-se, aqui no Brasil, no povoado codoense de Santo Antônio dos Pretos Além de claro, ser muito difundido em outras cidades do hinterland maranhense e na capital São Luís, essa religião também é encontrada em outros estados brasileiros, integrada ou que deu origens a outras derivações religiosas. Em Codó desde há muito que alguns terecozeiros ficaram também famosos por realizarem trabalhos de magia por solicitações de clientes ávidos por vinganças, de políticos ou de pessoas dispostas a pagar por eles elevadas somas o que lhe valeu fama de Cidade da Macumba, terra de feitiço. No Terecô são praticadas ações terapêuticas, onde os terecozeiros associam à sabedoria herdada de velhos africanos, somados aos feiticeiros indígenas, juntando-se mais ainda práticas do Catimbó e da feitiçaria européia e que também apóiam no tambor de mina, na umbanda e quimbanda que se encontram em expansão no município de Codó. Como citamos acima sobre as características da cidade e da religião, as quais se igualam: no Terecô se misturou às heranças dos índios a feitiçaria; dos afros as ações terapêuticas; somado a feitiçaria dos brancos europeus. Temos que evidenciar que em toda seqüência humana existem os bons e os ruins não seria no Terecô o contrário!

A maior repercussão do terecô codoense e suas derivações - Bita do Barão de Guaré - Wilson Nonato de Sousa, o popular curador, pajé e pai-de-santo Bita do Barão ou Bita do Barão de Guaré, nasceu na cidade de Codó, em 10 de julho de 1932, por muito tempo dividiu o reino da umbanda codoense com a também tão famosa Maria Piauí ou Maria Carinhosa (já falecida). Atualmente, o Comendador da República Bita do Barão é a personagem mais influente e conhecida internacionalmente com relação ao terecô e suas derivações místicas, fé e ocultismo da Mata do Codó. Sua “Tenda Espírita de Umbanda Rainha de Iemanjá”. Seu início no terecô foi em Santo Antônio dos Pretos. Atualmente foi citado no nosso último trabalho “Terreiro do Riacho Água Fria” sobre Codó, que trata da historiografia lingüística da nossa região e a evolução e derivações do Terecô, quando o classificamos o Maior Pai-de-santo das Américas, de acordo com os depoimentos de estudiosos pesquisados e principalmente pela polêmica que o carisma do Babalorixá codoense causa nos meios de comunicação e nas análises dos antropólogos.

Gostaríamos de saber por onde anda o Projeto Maria Firmina, que tinha dentre suas finalidades preservarem e melhorar a cidadania dessa população codoense? Atualmente essa localidade não tem praticamente nada, somente a teimosia de sua população em viver! Muito já perdemos em termos de história oral desses conterrâneos, que muito de informações valiosas poderiam ter deixado para nossa história! Não é possível que um povo que tanto se doou para formar o que nós representamos hoje, receba o desprezo e enorme falta de respeito com suas tradições. Santo Antônio dos Pretos é Patrimônio do Povo do Maranhão e dessa maneira deve e merece ser tratado com dignidade e veneração.

Codó na sexa de 2008



Codó na cheia de Abril de 2009

terreiro em SANTO ANTONIO DOS NEGROS- localdiade de Codó-MA


Mesinha básica de terecô

segunda-feira, 15 de março de 2010

JOALHERIA PUNK


domingo, 7 de março de 2010

DESEJO

Desejo




Desejo primeiro que você ame,

E que amando, também seja amado.

E que se não for, seja breve em esquecer.

E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,

Mas, se for, saiba ser sem desesperar.



Desejo também que tenha amigos,

Que mesmo maus e inconseqüentes,

Sejam corajosos e fiéis,

E que pelo menos num deles

Você possa confiar sem duvidar.



E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.

Nem muitos, nem poucos,

Mas na medida exata para que, algumas vezes,

Você se interpele a respeito

De suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,

Para que você não se sinta demasiado seguro.



Desejo depois que você seja útil,

Mas não insubstituível.

E que nos maus momentos,

Quando não restar mais nada,

Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.



Desejo ainda que você seja tolerante,

Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,

Mas com os que erram muito e irremediavelmente,

E que fazendo bom uso dessa tolerância,

Você sirva de exemplo aos outros.



Desejo que você, sendo jovem,

Não amadureça depressa demais,

E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer

E que sendo velho, não se dedique ao desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor

E é preciso deixar que eles escorram por entre nós.



Desejo por sinal que você seja triste,

Não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra

Que o riso diário é bom,

O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.



Desejo que você descubra,

Com o máximo de urgência,

Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,

Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.



Desejo ainda que você afague um gato,

Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro

Erguer triunfante o seu canto matinal

Porque, assim, você se sentirá bem por nada.



Desejo também que você plante uma semente,

Por mais minúscula que seja,

E acompanhe o seu crescimento,

Para que você saiba de quantas

Muitas vidas são feitas uma árvore.



Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,

Porque é preciso ser prático.

E que pelo menos uma vez por ano

Coloque um pouco dele

Na sua frente e diga "Isso é meu",

Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.



Desejo também que nenhum de seus afetos morra,

Por ele e por você,

Mas que se morrer, você possa chorar

Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.



Desejo por fim que você sendo homem,

Tenha uma boa mulher,

E que sendo mulher,

Tenha um bom homem

E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,

E quando estiverem exaustos e sorridentes,

Ainda haja amor para recomeçar.



E se tudo isso acontecer,

Não tenho mais nada a te desejar.



Victor Hugo

sábado, 6 de março de 2010

" O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"

" O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"






José Antônio Oliveira de Resende



Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura,
da Universidade Federal de São João del-Rei.


Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando- nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, t ambém ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

Que saudade do compadre e da comadre!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARTA DESCREVENDO JESUS A CESAR

O governador da Judéia, Públios Lentulus, ao César Romano:

 
- Soube ó César, que desejavas informações acerca desse homem virtuoso que se chama Jesus, que o povo considera um profeta, e seus discípulos, o filho de Deus, criador do céu e da terra.


Com efeito, César, todos os dias se ouve contar dele coisas maravilhosas.


Numa palavra, ele ressuscita os mortos e cura os enfermos.


É um homem de estatura regular, em cuja fisionomia se reflete tal doçura e tal dignidade que a gente sente obrigado a amá-lo e
temê-lo ao mesmo tempo.






A sua cabeleira tem até as orelhas, a cor das nozes maduras e, daí aos ombros tingem-se de um louro claro e brilhante; divide-se uma risca ao meio, á moda nazarena.


A sua barba, da mesma cor da cabeleira, e encaracolada, não longa e também repartida ao meio.


Os seus olhos severos têm o brilho de um raio de sol; ninguém o pode olhar em face.
"A gravura acima de Jesus, pintada pelo próprio Públios Lentulus"


Quando ele acusa ou verbera, inspira o temor, mas logo se põe a chorar..


Até nos rigores é afável e benévolo.


Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas muitas vezes foi visto chorando.


As suas mãos são belas como seus braços, toda gente acha sua conversação agradável e sedutora.


Não é visto amiúde em público e, quando aparece, apresenta-se modestíssimamente vestido.


O seu porte é muito distinto.


É belo.


Sua mãe, aliás, é a mais bela das mulheres que já se viu neste país..




Se o queres conhecer, ó César, como uma vez me escreveste, repete a tua ordem e eu te o mandarei.


Se bem que nunca houvesse estudado, esse homem conhece todas as ciências.


Anda descalço e de cabeça descoberta.


Muitos riem, quando ao longe o enxergam; desde que porém. se encontram face a face com ele, tremem e admiram-no.




Dizem os hebreus que nunca viram um homem semelhante, nem doutrinas iguais às suas.


Muitos crêem que ele seja Deus, outros afirmam que é teu inimigo, ó César.


Diz-se ainda que ele nunca desgostou ninguém, antes se esforça para fazer toda gente venturosa.





OBS 1


A descrição acima foi traduzida de uma carta de Públius Lentulus a César Augusto, Imperador de Roma.


Públius Lentulus foi predecessor de Pôncio Pilatos como governador da Judéia, na época em que Jesus Cristo iniciou seu ministério.


O texto original encontra-se na biblioteca do Vaticano.


Comprovada sua autenticidade, tornou-se, fora da Bíblia, o documento mais importante sobre a pessoa do Senhor Jesus.


OBS 2


Sabemos também que após a crucificação de Cristo


Públius Lentulus tornou-se seu seguidor e, juntamente com sua filha Lívia, levava a palavra de Deus aos povos da época

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010